A Biz 125 faz 60 km/l? A minha faz 40

Se você pesquisar quantos quilômetros por litro a Biz 125 faz, vai encontrar dezenas de páginas repetindo o mesmo número do fabricante. Nenhuma delas mediu nada. Eu medi a minha, tanque a tanque, e o resultado foi bem diferente — o que não significa que a moto tenha problema. Aqui estão os números crus e a explicação.

Os números da minha moto

Uma Honda Biz 125 ES 2015, flex, tanque de 5,5 litros, rodando em uso urbano comum. Anotei data, litros, valor pago e odômetro a cada abastecimento, sempre enchendo o tanque até o corte da bomba. Estes são os registros:

Medições reais pelo método do tanque cheio. O primeiro abastecimento é só o marco zero — ele não gera consumo, porque não se sabe quanto havia no tanque antes dele.
DataOdômetroLitrosPagoR$/lKm rodadosConsumo
06/0854.288,74,20R$ 28,066,681marco zero
18/0854.454,04,48R$ 29,036,480165,336,9 km/l
29/0854.608,03,51R$ 24,927,100154,043,9 km/l
Média ponderada 319,3 km ÷ 7,99 litros = 40,0 km/l
Anunciado (geração atual)62,8 km/lMedição 18/0836,9 km/lMedição 29/0843,9 km/lMinha média real40,0 km/lkm rodados por litro de gasolina
O número anunciado e o que a minha moto realmente faz, em uso urbano. A diferença de 33% está dentro do esperado para condições reais.

Repare que a média não é a média simples entre 36,9 e 43,9 (que daria 40,4). A conta certa é o total de quilômetros dividido pelo total de litros — assim um tanque curto não pesa o mesmo que um tanque longo. A diferença é pequena aqui, mas cresce quando os intervalos são desiguais.

E o custo, que no fim é o que importa:

Custo por quilômetro R$ 53,95 gastos ÷ 319,3 km = R$ 0,169 por km

Duas medições não fecham questão

Sejamos honestos com o tamanho da amostra: são duas medições. Isso mostra a ordem de grandeza e já derruba o número de 60 km/l para o meu caso, mas não é uma média consolidada. A tendência confiável aparece a partir da terceira ou quarta medição. Vou atualizar esta página conforme os dados se acumularem.

Por que o número do fabricante é tão maior

Os valores que circulam para a Biz 125 ficam entre 50 e 60 km/l, e a geração atual da moto é anunciada com quase 63 km/l na cidade. Esses números não são mentira — eles vêm de um teste padronizado, feito para que motos diferentes possam ser comparadas entre si sob as mesmas regras. O problema é que essas regras não descrevem o seu trajeto.

No teste, a moto roda em velocidade constante, sem semáforo, sem parar e arrancar, com pneus calibrados, motor regulado e um piloto de peso padronizado. No mundo real, cada um desses itens joga contra:

  • Parar e arrancar. O gasto maior está na aceleração. Um trajeto urbano com muitos semáforos pode derrubar o consumo em 20% ou mais em relação ao mesmo percurso fluindo.
  • Trajetos curtos. Motor frio consome mais. Se você faz vários percursos de 2 a 3 km, boa parte do tempo o motor nem chega à temperatura ideal.
  • Peso. Piloto, garupa e carga. Numa moto de 125 cilindradas, 30 kg a mais fazem diferença visível — proporcionalmente muito mais do que num carro.
  • Pneu vazio. É o item mais barato de corrigir e um dos que mais custam quando esquecido.
  • Manutenção. Vela gasta, filtro de ar sujo, corrente mal regulada e óleo vencido cobram o seu preço no consumo.

Uma diferença de 20% a 35% entre o número oficial e o real é o esperado, não a exceção. Os meus 40 km/l contra os 60 anunciados dão 33% — dentro dessa faixa.

Espaço reservado para anúncio

Gasolina ou etanol na Biz flex

As minhas medições foram todas com gasolina comum. A Biz 125 flex aceita etanol, e aí vale a mesma regra de qualquer veículo flex: o etanol rende menos por litro, então só compensa se estiver bem mais barato. Na moto a queda de rendimento costuma ficar perto de 30%, o que coloca o ponto de equilíbrio na casa dos 70% do preço da gasolina.

Só que essa é a regra genérica. O número que vale é o seu: meça um tanque com gasolina e o seguinte com etanol, no mesmo tipo de trajeto, e compare. O raciocínio completo está em álcool ou gasolina: qual compensa.

Autonomia real do tanque

Com 5,5 litros e 40 km/l, a autonomia cheia fica em torno de 220 km. Na prática ninguém roda até a última gota, então conte com uns 180 a 190 km antes da reserva começar a incomodar. Se você estivesse confiando nos 60 km/l anunciados, planejaria 330 km — e ficaria a pé mais ou menos no meio do caminho.

É por isso que consumo medido não é curiosidade de nerd: é o número que decide se você chega.

Como medir a sua

O método é o mesmo para qualquer moto ou carro, e não exige nada além de anotar:

  1. Encha o tanque até o corte automático da bomba e anote o odômetro. Esse é o marco zero — ele não gera consumo.
  2. Rode normalmente. Não mude o seu jeito de pilotar para "melhorar" o teste; você quer o número do seu uso de verdade.
  3. No próximo abastecimento, encha de novo até o corte e anote odômetro e litros.
  4. Divida os quilômetros rodados pelos litros colocados. Esse é o seu km/l daquele tanque.
  5. Repita. A partir da terceira medição a média começa a significar alguma coisa.

O erro que estraga a medição

Sempre encha no mesmo critério — até o corte da bomba — e de preferência no mesmo posto e na mesma bomba. Completar "quase cheio" numa vez e "cheio até a boca" na outra introduz um erro de meio litro que, num tanque de 5,5 litros, distorce o resultado em quase 10%. Se não deu para encher, marque o abastecimento como parcial e deixe os litros entrarem na conta do tanque seguinte.

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No KmLitro você registra data, litros, valor e odômetro — e ele devolve o km/l de cada tanque, a média ponderada, o custo por quilômetro e a autonomia estimada. Foi exatamente assim que a tabela deste artigo foi montada.

Medir o consumo da minha moto

Perguntas frequentes

40 km/l é ruim para uma Biz 125?

Não é ruim, é urbano. Para uma moto de 125 cilindradas em trânsito de cidade, com paradas constantes, 40 km/l é um resultado normal. Ruim seria uma queda repentina em relação à sua própria média — se você vinha fazendo 40 e passou a fazer 30, aí sim há o que investigar.

Como sei se o consumo caiu por problema mecânico?

Comparando com você mesmo, não com a tabela do fabricante. Por isso o histórico importa: uma queda de 15% ou mais que se mantém por dois ou três tanques seguidos, sem mudança no tipo de trajeto, é sinal para checar pneu, vela, filtro de ar e regulagem. Com o histórico na mão você chega na oficina com dado, não com impressão.

Vale a pena anotar o posto onde abasteci?

Vale. Combustível adulterado existe e aparece como queda de consumo concentrada nos tanques de um posto específico. Sem anotar onde abasteceu, você nunca vai conseguir cruzar essa informação.